quarta-feira, 4 de maio de 2005

IV Convenção Nacional do Bloco de Esquerda

Realiza-se nos próximos dias 7 e 8 de Maio a IV Convenção nacional do Bloco de Esquerda.
Para esta Convenção, a Concelhia de Famalicão será representada por 6 delegados eleitos na Assembleia Distrital realizada no passado dia 30 Abril em Vizela.
Os nossos delegados são apoiantes da moção "BLOCO POR UMA ALTENATIVA SOCIALISTA"
e são eles: ADELINO MOTA, JOÃO MANUEL RIBEIRO, BRUNO VIEIRA, LUIS SERGUILHA, RUTE MARCELINO, e PAULO COSTA.

terça-feira, 3 de maio de 2005

domingo, 1 de maio de 2005

1º Maio

Miguel Portas - " O tempo não volta para trás"

O tempo não volta para trás

Miguel Portas
Artigo publicado no Diário de Notícias, Opinião, 30.04.05

Imagem "picada" n'A NOITE
Lisboa: alma caridosa fez-me chegar, via e-mail, a troca de correspondência entre PS e PCP sobre a Câmara de Lisboa. É muito curiosa. Desde logo, porque a única matéria substantiva é a "mercearia fina" - a repartição de cadeiras. O "resto", as linhas de um eventual projecto para a cidade, merece em cada carta um a dois parágrafos sacramentais. A segunda curiosidade é que a base de partida do PCP são os resultados da última vez em que se apresentou sozinho à câmara, vai seguramente para 20 anos. Ou não queria acordo - e poderia ter encontrado modo mais elegante de o dizer; ou pensa que o tempo anda para trás...

E assim se chegou a uma mão-cheia de nada. À esquerda, cada um irá por si, e provavelmente o mesmo sucederá à direita. Teria sido interessante construir um projecto de esquerda que superasse a lógica interpartidária e fosse capaz de envolver as melhores energias da cidade. Mas quem o podia impulsionar, não precisava de o fazer; e quem nele se poderia envolver, não tinha como tomar a iniciativa. É pena, mas não vem daí mal ao mundo. Em Outubro, o PSD perderá por muitos. Como nunca perdeu em Lisboa. As convergências acabarão por se fazer, mas em resultado da avaliação que os votos farão das diferentes propostas. Uma solução que decorra da verdade dos votos é sempre preferível a uma coligação de desconfiados.

Vaticano: Em Timor-Leste, o Governo quis tornar facultativas as aulas de Religião e Moral. Razoável, não? Mas contra esta ideia civilizada, a Igreja promete a revolução. Também ela gosta de conservar o tempo em formol. Principalmente, quando alguém toca nos seus privilégios.

Em Madrid, o Parlamento aprovou os casamentos civis entre homossexuais. É polémico, mas não mais do que isso. Contudo, para a Igreja, a medida justifica a desobediência dos oficiais judiciais, incorrendo em risco de despedimento ou a condenação por discriminação. Por causa de um simples acto civil, promete guerra sem quartel.

Permitam a franqueza: contra a fome e a miséria extrema, a Igreja ora e realiza obra social. Contra a propagação da sida em África, propugna a resignação em vez do preservativo. Mas já contra os gays apela à subversão da ordem democrática. É normal?

Durante 1700 anos, o Vaticano protegeu ou justificou, em regra, todas as ordens dos poderosos, por injustas que fossem. Mas contra os gays, o mínimo é a jihad. Se o Céu existir, muito penarão os cardeais para lá entrarem!

Paris: O Le Monde publica uma carta de V. Assante, dirigente do PS francês, onde este relembra as condições que o PS para subscrever uma Constituição Europeia. Entre elas base jurídica clara para a protecção dos serviços públicos; inclusão do crescimento e do emprego como objectivos-guia da Comissão e do Banco Central Europeu; governo económico da União com suporte orçamental incluindo base tributária própria e capacidade de endividamento; fiscalidade, política social e política externa como domínios de decisão por maioria qualificada (e não por unanimidade); e ainda a revisão futura da Constituição por referendo simultâneo e maioria qualificada da população e dos Estados. A gaveta das promessas esquecidas explica o cisma no PSF.

Toulouse: Quinta-feira, a nova coqueluche da indústria europeia, o Airbus 380, fez o seu primeiro teste de voo. Os chefes do "sim" usaram o novo mamute dos ares em benefício próprio. Mas o A380 demonstra exactamente o contrário: que não há política industrial europeia sem financiamento e capacidade de endividamento públicos, e que o seu adversário é o sacrossanto princípio da "livre concorrência" que modela todo o tratado. Hoje, a Europa não teria conseguido fazer o A380. Aliás, não é por acaso que o comissário da Concorrência tentou, ainda no início deste ano, cortar as ajudas europeias ao projecto...

Luxemburgo: Freitas do Amaral anunciou que Portugal não hesitaria em vetar o quadro comunitário de apoio para 2007/2013, se fosse necessário. É bom que leve a sério as suas palavras. Não há a menor chance de se chegar, sequer, a um razoável acordo para os países das periferias da União. Na negociação de dinheiros, não há grama de Europa, apenas "interesses nacionais". Quem quiser perceber a Europa do tratado, ponha os olhos nesta negociação. Uma Europa alargada, mas proibida de recorrer a recursos próprios e ao endividamento, é um desastre para todos. É como uma alcateia de esfomeados em redor de uma carcaça. Não entender que este tratado apenas eterniza as soluções que o tempo esgotou começa a ser matéria do puro domínio da estupidez.

Miguel Portas

mportas@europarl.eu.int

Bloco de Esquerda avança com lista em Joane

Bloco de Esquerda avança com lista em Joane
“O executivo já não é capaz de sonhar"

foto
Joane vai ter uma candidatura do Bloco de Esquerda à Junta de Freguesia. Essa decisão foi assumida na última reunião do Secretariado Concelhio, mas ainda não está nada definido quanto ao rosto que a vai liderar. Em entrevista ao Entre Vilas, Manuel Cunha afirma que o candidato será escolhido pelo grupo que está a trabalhar o processo autárquico e acrescenta que o BE tem condições para eleger um representante para o órgão deliberativo.

Bloco Esquerda nas últimas eleições surpreenderam-no?
Pela dinâmica de campanha não posso dizer que constituiu uma surpresa. No princípio as expecativas não eram tão elevadas. Não contava chegar aí, mas após a primeira semana de campanha começámos a acreditar, pela receptividade que havia das nossas acções e propostas. Triplicamos a votação de há 3 anos atrás com uma campanha de militantes, sem grandes meios e congratulamo-nos, também, porque fomos quem provocou o debate no distrito.

Na vila de Joane, tal como no concelho de Famalicão, o BE ultrapassou a CDU, tornando-se na quarta força política...
Tivemos os votos que nos confiaram ou os que merecemos. Sinal de que a nossa mensagem passou e as nossas propostas foram bem aceites. Não fomos buscar votos à CDU, até porque também não registaram descida na votação. Não fomos, por isso, ocupar o espaço da CDU.

Transportando essas indicações para as eleições autárquicas perspectivam um bom resultado?
O processo autárquico está a conhecer desenvolvimentos, num trabalho que está a ser feito pelo Secretariado Concelhio, a distrital e o dirigente nacional para as autárquicas [Pedro Soares]. Não temos representação nos órgãos autárquicos e, por isso, não temos a visibilidade que outros partidos têm, mas nos últimos 3 anos temos um trabalho realizado. Tomaram-se posições públicas sobre a vida autárquica do concelho e não estamos alheados do que se passou durante este mandato.

É um acto eleitoral que assume particular importância para uma força política que está em ascensão?
É-o na medida em que poderemos assegurar a eleição de representantes nos órgãos locais, o que dará uma maior projecção ao BE. Esse é um dos nossos objectivos para o embate de Outubro.

A vila de Joane vai ter candidato bloquista?
Sim, está definido que esta localidade será uma das que o BE vai apresentar candidatura. Há um grupo que está a trabalhar na elaboração da lista que será apresentada em Maio, após a convenção nacional. Será uma lista credível capaz de trazer propostas interessantes para o debate político. De resto, é nossa intenção provocar o debate. Estamos muito satisfeitos com o trabalho realizado, que para mim tem sido uma surpresa agradável. Existem muitos jovens a aderir ao BE, alguns que militaram noutros partidos mas que estão disponíveis para trabalhar na formação de lista em Joane.

Já se discutiram nomes para liderar essa candidatura?
Aquilo que temos definido é que o cabeça de lista será eleito pelo grupo. É preciso que o rosto que nos vai representar tenha confiança da estrutura e repudiamos o aparecimento de salvadores da pátria. As regras são estas e o cabeça de lista escolhido por todo o grupo.

A eleição de um representante para a Assembleia de Freguesia é o vosso objectivo?
Primeiro queremos apresentar lista credível e não concorra por concorrer. Temos que constituir um grupo de pessoas capazes de elaborar um programa e que discutam Joane. O nosso primeiro objectivo é provocar o debate e depois munirmo-nos de pessoas com capacidade para assumir as responsabilidades que o povo lhe conferir.

O debate político tem andado arredado da vila?
Muito arredado. Apenas acontece nalgumas reuniões da Assembleia de Freguesia, por vezes relacionados com questões menores e sem grande importância, quando o que deveria ser relevado não o é.

É uma crítica que faz às outras forças políticas?
É a constatação de um facto. Uma que não é só minha mas de muitos joanenses. Não há debate porque muitas vezes as questões pessoais sobrepõe os interesses de Joane. Se eleger um representante do BE este cenário irá mudar com toda a certeza. Não quer dizer que não haja pessoas com qualidade naquele órgão e que não levam questões interessantes, mas não há grande debate.

In Entre Vilas (27-04-05)

Bloco em Revista

Acidentes de Trabalho: Bloco apresentou dois Projectos de Lei

ImagePortugal é o país europeu com a mais elevada taxa de mortalidade no trabalho. Em 2004 197 pessoas perderam a vida no local de trabalho. O Bloco de Esquerda apresentou no Dia Nacional da Prevenção e Segurança no Trabalho, dois projectos de lei sobre esta matéria, pretendendo agilizar os mecanismos de compensação financeira dos sinistrados
Acede aqui aos projectos de lei do BE sobre acidentes de trabalho
Lê comunicado de imprensa na íntegra
LER ARTIGO

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BE contra a alteração da lei eleitoral para os órgãos das autarquias locais

A deputada Alda Macedo intervindo no plenário da AR afirmou:

Estes projectos de lei ainda que de formas diferentes, representam uma perda de qualidade da democracia no poder local, põem fim à autonomia dos processos eleitorais para os órgãos Assembleia Municipal e Executivo; derrotam o princípio da pluralidade de representação nos executivos municipais, o projecto do Partido Socialista torna a moção de censura numa miragem, o do PSD, ao introduzir o conceito da maioria automática, comete um atentado contra o princípio constitucional da proporcionalidade. Em conjunto, são ambos um retrocesso, um agravamento da erosão da nossa democracia. O Bloco de Esquerda opõe-se a este processo e vota portanto contra ambos os projectos de lei.
Leia na íntegra a intervenção de Alda Macedo
LER ARTIGO

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Estes e outros assuntos a verificar na página nacional do Bloco de Esquerda.

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Militantes do Bloco escrevem para o blog

Esta é a primeira particpação de militantes do Bloco. Participa também!



“Furibundo”

Estou, como um qualquer personagem dessas telenovelas brasileiras costuma dizer, “furibundo”!

Não, não sou um dos 200 trabalhadores da “Sampaio Ferreira” que após 40 anos vê o boato do encerramento concretizar-se; nem tão pouco tive um acidente numa das rotundas da nova variante por falta de iluminação. O meu “problema” é algo muito mais inofensivo, embora revoltante.

É pela terceira vez que vejo chegar à minha caixa de correio o “Boletim Eleitoral” perdão, o “Boletim Municipal” do mês de Março, pese embora estarmos no dia 12 de Abril. Não será excessivo pedir aos famalicenses que o leiam três vezes num período de tempo tão curto? E pensando melhor, talvez seja para que os 7950 desempregados do concelho se esqueçam um pouco da sua situação e tenham algo mais com que se entreter para além do habitual passeio pelo jardim e ida ao café da esquina. Sim, porque idas ao centro de emprego, já não merecem a assiduidade de outros tempos tendo em conta que estão inscritos, uns há meses, outros há anos, sem quaisquer perspectivas de um emprego que lhes permita fazer face a um custo de vida que não pára de crescer.

Não terá o município onde gastar melhor o dinheiro? Senão vejamos, na secção de deliberações vem publicado uma série de atribuições de subsídios, destes ressalvo dois pela aproximação dos valores em questão; por um lado a atribuição de 20.000€ (vinte mil euros) ao piloto Miguel Campos pela sua participação nos campeonatos nacional e mundial de Rallye (refira-se que nada tenho contra o piloto Miguel Campos nem contra o "Moto Clube de Famalicão"); e por outro lado, pasme-se Sr. contribuinte, a atribuição de (apenas) 21.750€ em bolsas de estudo sendo, segundo a mesma deliberação, atribuído a cada estudante 750€, o que na prática resulta na atribuição de 29 bolsas de estudo. Não haverá engano Sr. presidente? Estarão os indicadores de pobreza completamente errados? De entre tantas famílias carenciadas no nosso concelho, apenas 29 jovens têm acesso a algo tão fundamental como o direito à educação?

Voltando um pouco atrás, que conteúdo e utilidade nos proporciona esta publicação? Não querendo cair na tentação de fazer crítica destrutiva é-me, no entanto, muito difícil tendo em conta a “bibliografia fotográfica” do actual presidente da Câmara que teima em ser protagonista fazendo lembrar as fotonovelas que se liam para “matar” o tempo numa qualquer estação de comboios. Dei-me ao trabalho de contar, são nada mais nada menos que 48 as fotografias do “nosso” presidente mais uma enorme série de outras ilustrando orgulhosamente as obras feitas no concelho. Tendo em conta que 6,7% da população concelhia é analfabeta acaba-se por entender a escolha, não quer concerteza a autarquia ser acusada de discriminação!

Mais uma vez entretém-se os olhos para que se omita a palavra e o conteúdo que os famalicenses precisam e merecem.

P.S.: Lamentavelmente o n.º de leitores do “Boletim Eleitoral” subiu, são agora mais 200; são eles os trabalhadores da “Sampaio Ferreira” em Riba de Ave.

Mário Rui Faria

Vila Nova de Famalicão, 12 de Abril de 2005